{"id":10852,"date":"2025-12-16T21:44:00","date_gmt":"2025-12-17T00:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/?p=10852"},"modified":"2025-12-16T21:44:00","modified_gmt":"2025-12-17T00:44:00","slug":"cachacas-do-vale-do-piranga-e-de-pitangui-podem-ganhar-identificacao-geografica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/cachacas-do-vale-do-piranga-e-de-pitangui-podem-ganhar-identificacao-geografica\/","title":{"rendered":"Cacha\u00e7as do Vale do Piranga e de Pitangui podem ganhar identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica"},"content":{"rendered":"\n<p>Informa\u00e7\u00e3o foi divulgada em reuni\u00e3o que discutiu a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem a cacha\u00e7a produzida em comunidades quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10853\" srcset=\"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051-300x200.jpg 300w, https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051-768x512.jpg 768w, https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051-310x205.jpg 310w, https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2507051.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Willian Dias<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Conhecido mundialmente pela sua produ\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong>cacha\u00e7a<\/strong>, o munic\u00edpio de&nbsp;<strong>Salinas&nbsp;<\/strong>(Norte de Minas) est\u00e1 servindo de exemplo para outras regi\u00f5es de Minas Gerais, que s\u00e3o foco de&nbsp;<mark>outros dois processos de identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de produ\u00e7\u00e3o artesanal de cacha\u00e7a: o&nbsp;<strong>Vale do Piranga<\/strong>, no Alto Rio Doce; e a regi\u00e3o do munic\u00edpio de&nbsp;<strong>Pitangui&nbsp;<\/strong>(Centro-Oeste)<\/mark>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi uma das novidades discutidas em audi\u00eancia p\u00fablica realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta ter\u00e7a-feira (16\/12\/25), pela Comiss\u00e3o de Cultura, que&nbsp;<mark>debateu as contribui\u00e7\u00f5es do&nbsp;<strong>povo negro<\/strong>&nbsp;para o desenvolvimento dos modos de fazer a cacha\u00e7a artesanal de alambique em Minas Gerais<\/mark>.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre os processos de identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Vale do Piranga e de Pitangui vieram do coordenador da C\u00e2mara T\u00e9cnica Estadual de Cacha\u00e7a de Alambique da Empresa Mineira de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater\/MG), Lucas Carneiro, e do coordenador de Articula\u00e7\u00e3o Agroindustrial e Agrega\u00e7\u00e3o de Valor do Minist\u00e9rio da Agricultura e da Agropecu\u00e1ria (Mapa), Fabr\u00edcio Santana.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que essa identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica seja o in\u00edcio de um processo de valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos regionais, de forma semelhante ao que ocorreu com Salinas. Isso tamb\u00e9m traz, segundo Lucas Carneiro, um resgate de valores hist\u00f3ricos. Uma das descobertas desse trabalho foi um alambique do in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, o mais antigo em opera\u00e7\u00e3o no Estado, que existe no munic\u00edpio de Presidente Bernardes (Mata), no Vale do Piranga.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a vice-presidenta da Comiss\u00e3o de Cultura e autora do requerimento para realiza\u00e7\u00e3o da reuni\u00e3o, deputada&nbsp;<strong>Andr\u00e9ia de Jesus (PT)<\/strong>,&nbsp;<mark>a principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que esse processo de identifica\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o beneficie tamb\u00e9m as comunidades quilombolas e o povo negro<\/mark>. \u201cPesquisas hist\u00f3ricas demonstram que os africanos escravizados foram os principais respons\u00e1veis pelo dom\u00ednio t\u00e9cnico da cultura da cana, dos processos de fermenta\u00e7\u00e3o e destila\u00e7\u00e3o\u201d, destacou ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela cobrou uma pol\u00edtica de fomento diferenciada para estas comunidades, a fim de enfrentar a desigualdade estrutural que limita seu acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas de apoio, certifica\u00e7\u00e3o e cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQueremos reconhecer o protagonismo hist\u00f3rico do povo negro. A cacha\u00e7a n\u00e3o \u00e9 apenas um produto econ\u00f4mico. Ela integra processos culturais e religiosos afro-brasileiros.\u201d &#8211; Dep. Andr\u00e9ia de Jesus<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma defesa foi feita pelo professor de Hist\u00f3ria Jos\u00e9 Newton Meneses, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em hist\u00f3ria alimentar mineira, ele defendeu uma reorienta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.&nbsp;<mark>\u201cA pol\u00edtica de patrim\u00f4nio precisa ter car\u00e1ter de inclus\u00e3o. N\u00e3o como foi feito at\u00e9 hoje, com exclus\u00e3o\u201d<\/mark>, cobrou.<\/p>\n\n\n\n<p>Meneses foi um dos respons\u00e1veis pelo registro do processo de produ\u00e7\u00e3o do queijo artesanal em Minas Gerais. \u201cPosso estar equivocado, mas eu acho que esse tipo de pesquisa ainda n\u00e3o foi feita sobre a cacha\u00e7a. H\u00e1 um risco de perda deste processo\u201d, alertou ele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comunidade quilombola usa a cacha\u00e7a como instrumento de luta e identidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos exemplos dessa produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a pelo povo negro \u00e9 a Pontinha da Cana, bebida exibida na audiencia p\u00fablica por Renato Gon\u00e7alves, morador da&nbsp;<strong>Comunidade Quilombola de Pontinha<\/strong>, no munic\u00edpio de Paraopeba (Central).&nbsp;<mark>\u201cA gente quando vai entrar na viela das pol\u00edticas p\u00fablicas, a gente fica muito abandonado nisso\u201d<\/mark>, queixou-se Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele afirmou que a produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a \u00e9 um instrumento de luta da comunidade, que busca recuperar o controle de um territ\u00f3rio que hoje est\u00e1 ocupado por uma empresa de monocultura de eucalipto. \u201cPontinha briga h\u00e1 muito tempo e de maneira muito ferrenha para que o processo do Incra se concretize e a gente possa ter dom\u00ednio desta terra\u201d, afirmou. O reconhecimento oficial da Pontinha da Cana poderia ajudar nisso, uma vez que hoje a maior parte da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comercializada apenas na pr\u00f3pria comunidade e arredores.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da aguardente de cana para o povo negro tamb\u00e9m foi explicada, durante a audiencia p\u00fablica, pelo Pai Ricardo de Moura, mestre de saberes tradicionais de matriz africana.&nbsp;<mark>\u201cO sangue dos meus (antepassados) aguou quantos canaviais?\u201d<\/mark>, lembrou ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma oportunidade para as comunidades quilombolas que produzem cacha\u00e7a artesanal foi divulgada pelo representante do Mapa, Fabr\u00edcio Santana. Ele informou que h\u00e1 um edital de premia\u00e7\u00e3o dos \u201cGuardi\u00f5es da Sociobiodiversidade\u201d, no valor de R$ 50 mil, que selecionar\u00e1 doze comunidades quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o analista de Patrim\u00f4nio Cultural Imaterial do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico de Minas Gerais (Iepha), Gabriel Nunes da Silva, disse que as informa\u00e7\u00f5es sobre o processo necess\u00e1rio para obten\u00e7\u00e3o de registro est\u00e3o dispon\u00edveis no site da institui\u00e7\u00e3o. Ao final da reuni\u00e3o, a deputada Andr\u00e9ia de Jesus afirmou que um dos requerimentos elaborados \u00e9 para solicitar ao Iepha que tome a iniciativa de buscar a anu\u00eancia das comunidades quilombolas para iniciar processos de registro de suas cacha\u00e7as artesanais.<\/p>\n\n\n\n<p>ALMG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informa\u00e7\u00e3o foi divulgada em reuni\u00e3o que discutiu a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem a cacha\u00e7a produzida em comunidades quilombolas. Foto: Willian Dias Conhecido mundialmente pela sua produ\u00e7\u00e3o de&nbsp;cacha\u00e7a, o munic\u00edpio de&nbsp;Salinas&nbsp;(Norte de Minas) est\u00e1 servindo de exemplo para outras regi\u00f5es de Minas Gerais, que s\u00e3o foco de&nbsp;outros dois processos de identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de produ\u00e7\u00e3o &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10853,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,38],"tags":[],"class_list":["post-10852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-geral","category-regional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10852"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10854,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10852\/revisions\/10854"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/liberdadeitabira.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}